17/09/2016

Dor Patelofemoral - não demore pra começar o tratamento!





Uma das condições de dor em joelho mais comum, especialmente em corredores, é a dor patelofemoral, também conhecida como condromalácia patelar.

Basicamente, é uma dor que ocorre na região da frente do joelho, na patela (esse pequeno osso que está á frente do joelho), geralmente sentida ao redor ou atrás da patela, e parece ocorrer, especialmente, durante ou após atividades de dobrar ou esticar os joelhos, como agachar, saltar, subir ou descer escadas, dentre outras, como ficar muito tempo com o joelho dobrado.

É importante dizer que a dor patelofemoral não parece ser uma condição auto-limitada, ou seja, uma condição que melhora naturalmente com o tempo. Ela parece, de fato, necessitar de um tratamento específico que, como vamos ver, deve ser iniciado o quanto antes.



O que acontece com quem desenvolve dor patelofemoral?

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Aalborg (1), na Dinamarca, avaliou mais de 2000 adolescentes com 15 a 19 anos, sendo que destes, 504 tinham dor no joelho e 153 foram diagnosticados como tendo dor patelofemoral. Esses adolescentes com qualquer tipo de dor (incluindo dor patelofemoral) foram acompanhados e reavaliados 2 anos depois. Os dados obtidos mostraram que:

. a dor patelofemoral parece promover maiores níveis de interrupção ou diminuição da atividade física ou prática esportiva nos adolescentes. Possivelmente, podem haver consequências na saúde a longo prazo devido aos benefícios que os exercícios trazem;

. a taxa persistência/cronificação da dor patelofemoral parece ser maior que a de outras dores no joelho - 65% dos adolescentes com dor patelofemoral inicialmente ainda tinham dores 2 anos depois;

. não parece ser uma condição auto-limitada, ou seja, uma condição que se resolve apenas com o passar do tempo;

. em maior risco de terem dor persistente estão mulheres, indivíduos que não praticam esportes, que tem menores níveis de qualidade de vida (avaliada via questionários específicos), com elevada frequencia semanal de dores e/ou com maior duração da dor. Ressalta-se que a ausência de prática esportiva pode ter sido devido às dores já presentes.


Um outro estudo, dessa vez realizado pelo Centro Médico da Universidade de Erasmus, na Holanda (2), avaliou e acompanhou 172 indivíduos de 12 a 35 anos com dores de joelho, incluindo tanto aqueles com dor patelofemoral como aqueles cujas dores tinham outras origens (exceto aquelas oriundas de traumas ou acidentes). Eles observaram que:

. após 6 anos, 19% de indivíduos que, no início, tinham dores de outras origens ainda estavam com sintomas, enquanto esse valor foi de 40% para os indivíduos com dor patelofemoral;  

. nos indivíduos com dor patelofemoral, menores níveis educacionais e baixo nível de saúde, especialmente se associados a sintomas bilaterais, travamento ou inchaço do joelho, são fatores ligados à persistência dos sintomas.

Os dados desses dois estudos envolveram indivíduos que não necessariamente realizaram tratamento ao longo do período em que foram avaliados. Dessa forma, não foi mostrado de que forma o tratamento mudaria isso. O que se destaca é que, mesmo após anos depois da avaliação inicial, uma grande proporção de indivíduos ainda apresentava sintomas.



Como evitar isso? Como evitar que as pessoas desenvolvam sintomas crônicos da dor patelofemoral?

Vimos que a maior duração dos sintomas parece estar ligada com a sua manutenção ao longo do tempo (1). Outros estudos também mostraram isso (3, 4).

O primeiro desses estudos (3), realizado na Austrália (Universidade de Queensland), realizou o acompanhamento de 179 indivíduos que realizaram tratamento para dor patelofemoral, buscando verificar os quais fatores se relacionavam com maior ou menor melhoria dos sintomas. A maior duração dos sintomas, na ocasião de início do tratamento, foi relacionada a uma melhoria mais limitada, tanto ao final do tratamento (6 semanas de duração), quanto um ano depois. Ou seja, pessoas que tinham sintomas há mais tempo quando foram iniciar o tratamento obtiveram menores benefícios com o tratamento!

O segundo estudo (4)  também realizado na Austrália, porém, na Universidade de Melbourne, analisou os dados de mais de 300 indivíduos que receberam tratamento para dor patelofemoral visando identificar quais fatores estariam relacionados a um pior prognóstico (piores resultados). O tratamento durou 6 semanas e, tanto 3 meses após seu início (ou seja, cerca de 1 mês e meio após seu final), quanto ao final de um ano, os resultados mostraram que quem tinha dor a mais tempo antes de iniciar o tratamento apresentou piores sintomas. Ou seja, novamente, pessoas com sintomas há mais tempo quando foram iniciar o tratamento apresentaram menores benefícios com o tratamento e piores índices de recuperação! De fato, os autores sugerem que as dores com mais de 2 meses de duração estão sob risco aumentado de piores resultados.

Com base nisso, o que se sugere para evitar que os sintomas persistam e que se obtenham melhores resultados com o tratamento é que não espere para iniciar seu tratamento para dor patelofemoral (ie condromalácia patelar). Se você suspeita que tem sintomas, procure profissionais da saúde preparados e inicie seu tratamento o quanto antes para obter os melhores benefícios e minimizar os riscos de sintomas persistentes.




Referências Bibliográficas

1. Rathleff MS, Rathleff CR, Olesen JL, Rasmussen S, Roos EM. Is Knee Pain During Adolescence a Self-limiting Condition?: Prognosis of Patellofemoral Pain and Other Types of Knee Pain. The American Journal of Sports Medicine. 2016 May 1;44(5):1165–71.

2. Kastelein M, Luijsterburg PAJ, Heintjes EM, van Middelkoop M, Verhaar JAN, Koes BW, et al. The 6-year trajectory of non-traumatic knee symptoms (including patellofemoral pain) in adolescents and young adults in general practice: a study of clinical predictors. British Journal of Sports Medicine. 2015 Mar;49(6):400–5. 

3. Collins NJ, Crossley KM, Darnell R, Vicenzino B. Predictors of short and long term outcome in patellofemoral pain syndrome: a prospective longitudinal study. BMC Musculoskeletal Disorders [Internet]. 2010 Dec [cited 2016 Sep 17];11(1).

4. Collins NJ, Bierma-Zeinstra SMA, Crossley KM, van Linschoten RL, Vicenzino B, van Middelkoop M. Prognostic factors for patellofemoral pain: a multicentre observational analysis. British Journal of Sports Medicine. 2013 Mar;47(4):227–33. 

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